6 de set de 2012

Ralo

            - Quantas horas?
            - 4 e meia.
            A humanidade fede. Eu tenho, quase, por certo que aquilo era um homem. Um homem que quer ser bonito, um homem que quer ser mulher, mas as pessoas fedem.
            Meu cheiro é de cachaça e buceta barata, não era pra ser diferente. Não quero que seja diferente.
            Por entre putas viciadas e mendigos simpáticos eu vou cambaleando, deixo cair meu sangue.  Por duas horas eu fui livre, duas horas. O dinheiro acabou a bebida acabou e o amor acabou.
Eu deveria me perguntar, e agora José? Mas meu nome não é José.
            Deveria pedir um taxi, escorar em um banco, tirar um cochilo e quem sabe escrever um livro, mas as pernas balançam, o coração palpita, a vista treme e a memória? Bom, ela não é assim tão confiável.
            Da noite de hoje eu tenho certeza da puta barata, o cara das horas e o cheiro da humanidade. Talvez meus calos amanhã me lembrem de alguns quilômetros andados, talvez não.
            A humanidade fede, mas meu cheiro hoje é só de cigarros, buceta e álcool, menos mal.

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