31 de jul de 2011

Stellar

Pegou pela cintura e a trouxe pra perto do corpo com velocidade, precisão e, em poucos movimentos deixou-a nua. Era como um animal que está a muito sem comida. Mordia, lambia, cheirava, apertava e a desejava. Desejava também que aquele momento não acabasse.

A paixão por fim tomou conta dela. Assumiu o controle aumentando ainda mais o desejo dele. Pegava com força, arranhava, gemia e como gemia.

Uma linda cena.

A briga por poder, a dominação, o tesão, a paixão, vontade, predisposição e fome. Fome um do outro. Demoraram horas pra chegar ao orgasmo, sucumbiram ao prazer e cansaço. O cheiro forte de pessoas satisfeitas tomava conta do quarto e caminhava rumo ao resto do apartamento.

Acredito que o prédio todo se sentiu excitado, os corpos pareciam sorrir enquanto dormiam. Mas aí veio a manhã, ele já saciado não queria mais nada, ela sem paciência se vestiu e saiu. Deixou lembranças e algumas cicatrizes.

30 de jul de 2011

It ends tonight

Os sinos das igrejas anunciavam pouco mais de seis horas, já estava escuro e frio. Gelado também o coração dele. Ela então tocou o interfone, ele mandou subir. Já estava decidido, teve tempo pra pensar, bocas a beijar e corpos pra conhecer. Pegou uma cerveja.

Bateram na porta, era ela. Com um sorriso lindo nos lábios e hoje mais do que nunca ela estava bela. Radiante pelo reencontro, já contava quase um mês que não se viam. Ele foi implacável.

Cruel e impiedoso.

Palavras e características que pareciam feitas pra ele –pelo menos naquele momento. Ela não merecia tamanho desprezo por um erro tão pequeno.

Gostar demais dele.

Em questão de minutos seu riso se transformou em melancolia, seu amor em desespero. Os olhos -que antes brilhavam- ganharam uma coloração vermelha, no peito um aperto. Ouviu calada. Era como se estivesse em estado de choque.

Existem poucas coisas tão lindas quanto uma mulher ferida.

Deu um ultimo abraço e saiu em passos largos, cabeça baixa e o rosto um pouco molhado. Ele ficou na janela do seu quarto no terceiro andar, fumando seu cigarro, a ver mais uma chance de vida normal dobrar a esquina e sair do seu mundo.

27 de jul de 2011

5 de jul de 2011

Desabafo

"É meu purgatório, na verdade. Jantares, bebidas, o que seja. Não fico interessado, mas digo que é linda mesmo assim. Porque é verdade, todas as mulheres são, de um jeito ou outro. Sempre tem algo sobre cada uma de vocês, um sorriso, uma curva, um segredo... Vocês damas são mesmo as criaturas mais incríveis.

A obra da minha vida.

Mas, então, vem a manhã seguinte. A ressaca, e percebo não ser tão disponível como pensei na noite anterior. Então, ela vai embora. E sou assombrado por mais um caminho não percorrido."


Hank.

4 de jul de 2011

The kill

Talvez se eu chorasse seria mais fácil, talvez se não pensasse tanto. Quem sabe se eu me conformar com um pouco menos ou talvez um pouco mais.

Se sentar sob a luz do sol ao seu lado nas manhãs frias não fosse tão bom.

Se te abraçar pra amenizar seu frio não fosse uma opção, e eu não pensasse em você a cada música que toca. Se cada pedaço do meu apartamento não trouxesse você pra memória e eu conseguisse sentir mais, agir menos.

Se eu pudesse voltar até aquele dia, praquela prova, e me recusasse a ficar encantado com seu rosto de assustada.

Se eu tivesse desistido do curso, do mundo.

Desistido de você.

Mas eu não desisto. Não de você, não do que eu quero.

3 de jul de 2011

Crazy

Não quero algo que ultrapasse o limite e não quero algo que falte.
Quero você e todas as suas fases.
Quero o bastante, o bastante para me dar uma boa noite de sono.
Só o bastante, nenhum pouco a mais ou a menos.