31 de ago de 2011

Last night

A matemática era simples. Ele um rapaz excitado, ela uma mulher recém descoberta. Ele mentia fácil, ela ainda acreditava. Ele dizia coisas banais usava de jogos de sedução chulos, quase como se fossem uma arte. Ela o achava incrível. Comprava o jogo, dizia sim.

Sims demais.

Ele como bom canalha fazia-a sentir-se única. Única como todas as outras antes e provavelmente depois dela. Era o charme dele. Aquele jeito descuidado, tratando todas como se fossem “A” mulher amada. Era isso que fazia dele alguém inesquecível (pelo menos por uma noite), era isso que o tornava especial.

Elas após alguns minutos de conversa o consideravam inofensivo. Considerariam também o chocalho de uma cascavel se olhassem a dona nos olhos. Abaixou a guarda, deu sinal de interesse. Achou que ele fosse diferente. De fato era. Mas nem sempre o diferente é bom. Um coração infectado raramente se cura.

Ele atacou.

Inofensiva sofreu as conseqüências. Enganada, usada. Por inocência ou quem sabe até querência. Seus motivos ainda são um mistério. O fato é que após o raiar do dia, acordaram e seguiram cada um seu caminho. Encontraram-se socialmente e se cumprimentaram como conhecidos.

30 de ago de 2011

Something

Sete bilhões de pessoas no mundo. Cento e noventa e dois milhões de brasileiros. Qual seria a probabilidade de se encontrar alguém único? Daqueles que tem manias estranhas, da fala mansa e a voz bonitinha? Qual a chance de se conhecer alguém atrativo no meio de 192 milhões de pessoas?

De repente, uma noite quente, uma cidadezinha pequena. Alguns golpes de sorte –ou se preferir destino. Eles se esbarram. Ela diz algo, ele responde. “Aqui tá muito cheio, vamos lá pra fora?”, “Quase nada... E você?”, “É”, “É, nem eu”, “Então você toca?”, “Não! Não sou daqui não”, “Garrafas!”

Ela repara nele, ele não tira os olhos dela. Um único momento. Um simples piscar de olhos o teria feito perder. Ele não piscou, ela também não. Única, como quase todas as chances. Escolhendo uma musica pra definir o que se passou com ele aquela noite, ouça “I’ve Just seen a face”. Porque realmente, se fosse qualquer outro dia ele teria olhado pro lado. Mantido sua farsa. Sem momentos poéticos. Só teria lhe restado a mesma melancolia misturada a ressaca de sempre. O mesmo amor.

Sete bilhões de pessoas no mundo. Cento e noventa e dois milhões de brasileiros. Qual seria a probabilidade de se encontrar alguém único? Daqueles que tem manias estranhas, da fala mansa e a voz bonitinha? Qual a chance de se conhecer alguém atrativo no meio de 192 milhões de pessoas?

29 de ago de 2011

Querida L.

Não sei se foi a atenção desperdiçada, o sorriso fácil, os olhos cansados ou talvez nada disso. O que eu sei, é que só penso no momento que passamos juntos e no jeito que meu coração bate desritimado - conseqüência de pensar em você.

“Sem jogos”

Eu não teria dado um conselho tão bom. Sem jogos, sem mascaras, nomes falsos, historias inventadas. Só você, eu e a nossa vontade. Eu um jovem desiludido, de peito aberto, coração cansado. Você, uma mulher linda, independente, engraçada, inteligente, excitante e nada comum.

A verdade é que não queria que o tempo tivesse passado e a noite tivesse acabado. Queria ter conseguido te ensinar a musica do Nando Reis, queria ter descoberto mais sobre você, trocado mais carinho. É fato que teria te ligado hoje, pra dizer tudo isso que acabei escrevendo. É fato também que não conseguiria te dizer metade do que escrevi, não teria coragem de te contar da carta que escrevi bêbado antes de dormir.

Você disse que eu era um romântico. Talvez eu seja mesmo, poucas pessoas têm a capacidade de ver na melancolia a beleza que eu vejo. Menos pessoas ainda, conseguem ver a verdadeira beleza na sinceridade.

Parafraseando Cazuza diria: Como eu queria que o tempo tivesse passado arrastado só pra ficar ao seu lado.

É possível se passar anos ao lado de alguém sem se sentir tão bem quanto me senti com você. Atenciosamente, de um cara apaixonado.

Ps: O pé de amora está crescendo.

28 de ago de 2011

Com açúcar e com afeto

-Vai me visitar?

-Depende.

-Depende?

-É.

-De quê?

-Depois de amanhã você vai lembrar de mim?

-Vou.

-Se isso acontecer...

-Hm.

-Claro que vou.

-Sério?

-Aham.

24 de ago de 2011

Hard time killing floor blues

Pegou a guitarra com as mãos de quem tem no peito um coração dilacerado. Deitou-a em seu colo e a fez chorar. Chorava como se deve chorar a guitarra de um bluesman. Com uísque na cabeça, um cigarro no cinzeiro, a mulher amada no coração e a guitarra nas mãos, compôs sua obra prima. 5 minutos de peito aberto, olhos mareados, sentimentos e blues.

Jamais tocaria essa musica de novo. Ela funcionou como uma espécie de desabafo sabe?! Algo que aperta tanto a gente que é preciso tirar do peito. Mandar embora.

E lá se foram noite adentro. Sem dó sumiram como a lua some horas antes do raiar do sol. Todos os lamentos escoavam pras mãos e voz daquele pobre rapaz. Apenas os mendigos que dormiam próximo ao seu prédio ouviram o lamento apaixonado de um jovem perdido, talvez até porque não tivesse no mundo ninguém mais digno que eles pra isso.

Embriagado de Rés, Fás, Mis e Sis apagou.

Eu digo apagou, porque não se sonha quando se está bêbado. Você é desligado, sem sonhos e pesadelos. Só uma grande sala branca sem sons, pessoas e rostos. Sem julgamento, palpitações ou espasmos.

E apagado ele ficou.

23 de ago de 2011

Je t'aime moi non plus

Entrou fácil, duro como pedra. Ela parecia surpresa, rebolava, gemia, mordia e arranhava. Subia, descia, mudava de lado, e gemia. Não se agüentava, agarrava com força, chupava com desejo, empunhava com prazer e gemia. Com os olhos fixos as pernas fracas, pedia mais. Mais fundo, mais forte, mais rapido, mais, mais, mais.

Ele atendia.

Tapas, arranhões, mordidas e gemidos. Sorrisos sacanas, palavras mais ainda. Ele apertava, mordiscava, puxava, chupava, arranhava, enfiava, batia, sorria e olhava.

Ela gemia.

Sentia o corpo satisfeito. Bebia tudo em uma só golada, como água do bebedouro da escola após a aula de educação física. Não desperdiçou uma gota sequer. Com as pernas bambas, os olhos moles, a mente e a libido satisfeitas se abraçaram. Dois corpos suados e completos.