24 de ago de 2011

Hard time killing floor blues

Pegou a guitarra com as mãos de quem tem no peito um coração dilacerado. Deitou-a em seu colo e a fez chorar. Chorava como se deve chorar a guitarra de um bluesman. Com uísque na cabeça, um cigarro no cinzeiro, a mulher amada no coração e a guitarra nas mãos, compôs sua obra prima. 5 minutos de peito aberto, olhos mareados, sentimentos e blues.

Jamais tocaria essa musica de novo. Ela funcionou como uma espécie de desabafo sabe?! Algo que aperta tanto a gente que é preciso tirar do peito. Mandar embora.

E lá se foram noite adentro. Sem dó sumiram como a lua some horas antes do raiar do sol. Todos os lamentos escoavam pras mãos e voz daquele pobre rapaz. Apenas os mendigos que dormiam próximo ao seu prédio ouviram o lamento apaixonado de um jovem perdido, talvez até porque não tivesse no mundo ninguém mais digno que eles pra isso.

Embriagado de Rés, Fás, Mis e Sis apagou.

Eu digo apagou, porque não se sonha quando se está bêbado. Você é desligado, sem sonhos e pesadelos. Só uma grande sala branca sem sons, pessoas e rostos. Sem julgamento, palpitações ou espasmos.

E apagado ele ficou.

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