28 de mar de 2012

Rua Antonio Rocha



                Aí num sábado na parte da tarde, mais precisamente às dezesseis horas e quatorze minutos, você se depara com o som de passos na rua vazia pela qual vagava, alguém te segue.
                Masca o chiclete, já sem sabor, com mais força. Passa a mão no bolso confere o celular e as chaves, no outro bolso alguns trocados do pão.
                “É o fim!”
                Os passos aumentam o som, velocidade. Aquela senhora de oitenta e dois anos que mora na rua de cima da sua casa te ultrapassa apressada “Tô perdendo o Raul Gil”. Suspira aliviado. 

27 de mar de 2012

Maria Joana


                Na noite de sábado fumou maconha. Não que nunca tivesse fumado, mas ela se sentiu diferente. O clima, as pessoas o violão... Não sei explicar, se sentiu viva.
                Na segunda fez a mochila.
                Na terça limpou a conta no banco.
                Na quarta aprendeu a fazer pulseirinhas.
                Na quinta queimou cartões de credito.
                Na sexta trancou o curso.
                E no sábado exatamente sete dias depois, caiu no mundo.
         De vez em quando sinto falta daquela bunda.

23 de mar de 2012

Limpeza no corredor 7


                Si perdeu da mãe naquela manhã de quarta-feira enquanto escolhia qual cereal levar. Era um ritual. Não que adiantasse muito, pois sempre levava o mesmo do elefante com a caixa marrom que era de chocolate, mas ele gostava de pensar qual seria o gosto daquele vermelho com tucano ou o outro que tinha um raio e brinquedos chamativos. Pegou a caixa e se deu conta que estava perdido.
                Andando por aqueles corredores, o coração batia mais rápido “não vou achar, não vou chorar”. Não estava na sessão de limpeza ou nos grãos. Deparou com aquela luz branca e um frio aconchegante que arrebatava o calor goiano. Tirou a cueca – velha e um numero menor que o certo – da bunda e ficou ali, olhando abobalhado para aquela imensa variedade de iogurtes, pudins, flans, queijos e frios em geral. Não sabia o que chamava mais atenção, o que parecia mais saboroso. Sabia com toda certeza que não comeria aquele tal de requeijão. Na escola, quando queriam deixar aquela pobre criança nervosa o chamavam de Jão.
                “Algo que termina com Jão não pode ser bom”
                O nojo cedeu espaço para felicidade, a mãe acabara de sair do corredor de enlatados e vinha ao seu encontro. O desespero veio em seguida, ela pegou um pote.
                Já em casa, relutante, não comeu do requeijão.
                Os dias passaram e como sempre seu cereal acabou, era comum. Comia tanto daquela porcaria que não dava nem quinze dias depois das compras e já estava sem. A mudança aconteceu naquela sexta de recesso. Era reunião de professores ou qualquer outra coisa do tipo, não teve escola. Ficou em casa a tarde toda. Foi nesse dia que conheceu o tio Ernesto, um homem de barba mal feita que passou horas trancado no quarto com a mãe. A fome era muita e só tinha requeijão e pão.
                “Quando eu for grande vou proibir os ÃOs”
                A mãe não abriu a porta e ele se rendeu aquela pasta branca. Como quem pega um bixo morto e em estado avançado de putrefação enfiou a faca no pote e passou com cautela no pão. A primeira mordida. Tão saborosa e mágica quanto todas as outras que viriam.
                Comeu metade do pacote de pão de forma. Por volta das cinco o tio Ernesto saiu do quarto, tomou um gole grande de água com a boca direto na garrafa “mãe não deixa meu pai beber água assim” ele riu e o garoto continuou a passar requeijão no pão. Passava cada vez mais e se lambuzava. Tio Ernesto foi embora. O pai chegou algumas horas depois, não tinha janta e começou na cozinha a gritar com a mãe, só parou quando saiu pouco tempo depois muito bravo de casa.
                Os dias passaram ligeiro.
                O mundo era maravilhoso, ele, o requeijão e o pão. O mês acabou março chegou, e, no primeiro sábado foi dia de compras. Pai, mãe, filho. Foi direto para aquele canto do mercado, “pedacinho do paraíso” olhou os tipos, as marcas, imaginava se teriam o mesmo sabor. Já empunhava aquele da vaquinha com embalagem transparente, queria do amarelo. Era um amarelo bonito, não tardou a mãe saiu do corredor de enlatados indo ao seu encontro. O pai que estava na sessão de bebidas chegou mais rápido ao seu lado “posso levar o amarelo também?”, “Não!”, a mãe encarando o pai pega do amarelo e do branco. Euforia, acho que essa é a palavra certa. Sai o menino empolgado empurrando o carrinho rumo ao caixa enquanto o pai faz aquela expressão nervosa com a mãe.
                Em casa o som dos gritos, portas batendo e pratos quebrando eram a sinfonia que embalavam as tardes amorosas. Jão, requeijão e o pão. “O mundo deveria ser feito de ÃOs”.
                Aquela terça de tarde chuvosa marcava dramaticamente o fim do pote com requeijão amarelo, seu sanduiche favorito com dois tipos de requeijão, e só, não teria mais dois sabores. O pai disse algo parecido com “Tô de mudança filhão, a gente vai poder jogar bola dentro de casa quando você for me visitar, te ligo hein?!” nos dias futuros ele não ligou e o filho não visitou. O requeijão branco não durou muito também e o tio Ernesto vinha sempre visitar a mãe.
O tio Ernesto, o Joaquim, e o seu favorito o tio Astolfo que sempre trazia uns doces molinhos que vinham numa casquinha de sorvete “O tio Astolfo tem um cheiro engraçado” e a mãe sempre feliz só se preocupava com a tristeza repentina do filho.
Marcou de passear “vou te levar na tia Márcia”.
                Na placa logo na entrada havia um tridente desenhado em preto ao lado do nome dela. “A tia Márica deve trabalhar pro aquaman”. Bom, não trabalhava. Mas falaram dele e de outros heróis e brincadeiras e da escola, do parquinho com areia, daquela pracinha e falaram também do requeijão durante aquela tarde e as outras que viriam. 

22 de mar de 2012

Era um dia de sorte.


                Sabe aqueles dias cinza onde o sol manda sua claridade esquentar um pouco de ar criando o mormaço chato? Então, aquele domingo estava assim, ou seria sábado?
                Isso não é tão relevante.
                O que importa é que ele acordou por volta de onze da manhã com uma ressaca de vodka barata e cigarros falsificados. Tomou um banho e foi para cozinha onde sua família o esperava com uma felicidade irritante - como se tivessem saído de um comercial de manteiga – um sorriso no rosto, o almoço pronto e já na mesa com tudo aquilo que achavam que ele gostava.
                O assunto durante almoço não foi outro.
                “Você tem de manter a calma”, “Vai tranquilo”. Nem se dignaram, a saber, que horas chegou na noite anterior e o que fez. Sentiam orgulho dele. Isso incomodava.
                Terminou o almoço foi para o quarto pegou a primeira camiseta limpa que achou, uma bem velha e surrada escrita Ramones, uma camisa xadrez marrom com branco e o resto do cigarro no maço vermelho amassado com isqueiro dentro.
                Chegou, faltavam cinco minutos para que o portão fechasse. Só deu tempo de pegar um kitzinho que algumas pessoas do seu colégio davam. Vinha um suco, um copo de água mineral e uma barra de chocolate light. O suco era de maracujá. “Hoje deve ser meu dia de sorte” pensava ele com todo seu sarcasmo enquanto sentava em seu lugar predefinido. Faltava ainda meia hora para o inicio da prova.
                “Alguém quer?”
                Foi o que ele disse oferecendo a caixinha amarela desbotada meio suada que seria aceita por um futuro amigo. Mas o que chamou atenção foram aqueles olhos que Machado de Assis já havia descrito muito bem. “Olhos distantes” Mick diria isso, mas a cabeça doía muito e seria uma prova extensa, pelo menos era o que achava.
                Terminou tudo, faltavam ainda duas horas para que pudesse sair. Tirou então a camisa de flanela, dobrou e a colocou em cima da prova, dormiu o sono dos justos. Não que ele fosse, mas para aquelas pessoas em volta ele era.
                Acordou uma hora depois com aqueles espasmos musculares involuntários que geralmente vem depois de sonhos estranhos.
                Limpou a baba da bochecha e olhou para as janelas na parte de traz da sala. Bom, era a intenção olhar para lá. Seus olhos pararam e focaram naquela garota meio mulher meio cigana.
                Cigana no sentido bom da palavra, daquelas sensuais e misteriosas com olhos marcantes que focavam nele enquanto o resto do rosto trazia uma feição assustada.
                A prova acabou.
                Ele se levantou, entregou o gabarito e saiu antes de todos naquela sala. Caminhava pensando nas bundas que cortavam seu caminho, no jogo do seu time e entre tantas coisas na cabeça pensava também nos olhos distantes daquela menina mulher – que mais tarde viria conhecer muito bem – o mundo parecia simples. 

16 de mar de 2012

Stage - Clear


                O céu nublado previa um temporal a qualquer momento, e, mesmo assim lá estavam eles. Aquele senhor de cavanhaque que mesclava pelos brancos, cinzas e pretos com o cabelo tão rajado quanto a barba e ainda mais bagunçado que o meu, encarava o pobre rapaz que com muito custo se lembrava dos ensinamentos de seu antigo mestre chinês.
                “Seja como água.”
                E o rapaz respirava fundo e encarava o velho de sorriso sarcástico.
                “Sua vez.” Disse o senhor após reprovar um homem de calça azul manchada com graxa e suor.
                Tremia como um bambu em noite de tempestade, ou um rio em plena cheia. O problema das tempestades é o mesmo das cheias, elas não duram para sempre.
                Já enfrentara desafios antes, mas este em particular lhe metia medo. Eram coisas demais em jogo.
                Travou os músculos, limpou a mente e agiu como água. Moldou-se ao necessário, deu partida no carro, ligou a seta e fez a volta perfeita sob o comando daquele veiculo automotor problemático.
                No final daquele silencioso jogo de poder e habilidade, o velho ranzinza parabenizou e com dois tapinhas nas costas, um bilhete escrito aprovado e certa decepção mandou para casa o jovem homem que se sentia agora mais leve e firme.

O sabor da falta


                E se eu cantar pra saudade e ela não vier com seu melhor vestido vermelho, ou preto?
                Se ela vier por vir, sem nada amargo ou até mesmo aquele agridoce do ciúme?
                Se eu cantar pra saudade como quem pede glicose na veia.
                Ela vem como fogo e incendeia?
Mas e se não vier com tanto ardor ou a boca de cereja?
                Dizem que a dança da chuva só funciona porque os índios não param enquanto não chove, então eu canto pra saudade até ela correr na minha veia como um rio carregado e a luz que rompe em noite clara as celas da cadeia.
                Assim eu canto, canto pra saudade tecer na minha cabeça. 

14 de mar de 2012

Terceiro dia



                Noite passada não fui para casa, eram coisas demais a resolver, tirei um cochilo de no máximo quinze minutos no sofá do departamento. Sonhei com ela.
                Na verdade eu sonhei com o dia em que nos conhecemos.
                Ela deve ter deixado todos eles doentes, não existe outra explicação para o fato de liberarem-na assim tão cedo. Me recuso acreditar que ela tenha progredido no tratamento.
                Acho que finalmente estou pegando o jeito disso, é como se eu fosse uma virgenzinha no auge da puberdade sofrendo pela falta de amigos.
                Tentei em vão ligar os pontos durante a noite “faltam peças demais nesse maldito quebra cabeças, se ao menos aquele moleque ainda estivesse vivo”. O dia nasceu, não demorou muito minha secretaria chegou. Não fazia ideia de que ela chegava tão cedo ao trabalho, o expediente só começava as 10 e ela já estava lá arrumando suas coisas. No radio tocava boleros antigos mesclado com noticias do Vaticano.
                Parece que finalmente vão reconhecer aquele hippie como messias. Eu digo uma coisa, para se levantar e encarar de peito aberto o que aquele filho da puta encarou é preciso culhões.
                Ela está radiante, ainda choramingava enquanto organizava a papelada em suas gavetas. Não tinha me visto enrolado na toalha ali em frente ao quadro com meus rabiscos.
                Sempre preferi o chuveiro do departamento.
                É mais quente e sai mais água que o do meu apartamento. A pobrezinha levou um susto quando me viu. Perguntei o que tinha acontecido e ela não se segurou, me abraçou em prantos. Eu sentia satisfeito aqueles seios médios em meu peito, ela me contou sobre seu namorado e as atrocidades que ele vinha fazendo de uns tempos para cá. Abriu seu coração. Dizia que estava carente e que gostava das minhas cicatrizes.
                Eu mal podia acreditar.
                Ela me beijou, aqueles lábios macios com gosto de creme dental de menta, aqueles seios firmes e o rabo mais lindo que eu já vi, seriam finalmente meu. Os outros funcionários só chegariam daqui algumas horas, aproveitei para fazer com ela o que sempre quis desde quando vim transferido de Goiânia. Abocanhei aquela linda buceta e só parei quando ela implorava. Fodemos por horas.
                Sem duvida a melhor foda que tive desde que ela foi internada.
                O dia mal tinha começado.
                Ela saiu feliz para buscar minhas roupas na lavanderia, voltou rápido e pedindo mais. Se eu soubesse que ela teria tanto tesão assim nas minhas cicatrizes e tatuagens, iria trabalhar sem camisa todos os dias.
                Vesti meu terno preto, camisa branca e minhas botas pretas.
                Agora sim era gente.
                Ela me disse que a diarista tinha ido ao apartamento e que iria mandar agora cedo ainda um faz tudo resolver os problemas com a fiação e o encanamento. Eu só conseguia pensar “meu pau deve ser de ouro”.
                Fui para reunião com o dono do estábulo.
                Cheguei naquela fazenda, quatro mil alqueires de terra em um dos bairros mais caros da cidade. Eu tenho que acabar logo com esse esquema, quero esse bolo todo pra mim chega de dividir com esses vermes.
                Ele me esperava em um estábulo em construção, dois guarda costas. Acho que eram russos ou alemães a julgar pelo tamanho e a cor da pele.
                - Korsakoff... Pontual como sempre.
                - É...
                - Soube que você anda se informando sobre assuntos que não lhe dizem respeito.
                E a conversa prosseguiu por horas. Aqueles dois caras pareciam cães prontos a atacar, mas não me intimidaram, eles não seriam tão retardados a ponto de matar alguém como eu assim. Esses filhos da mãe eram inteligentes.
                Sai de lá faminto, alegria me causava isso.
                Passei na padaria do francês. “Pierre, me vê o de sempre e café preto.
- Korsakoff, meu nome é Genet, JEAN GENET e não Pierre... Porra!
- Pra mim vocês franceses são todos iguais, como aqueles malditos asiáticos. Uma grande copia, um lote inteiro de Pierres e Miagis.
- Sempre carismático, não é mesmo filho da puta?
- Faz parte do meu charme...
- As coisas estão pesadas. Fiquei sabendo que os ucranianos já tomaram metade da cidade.
- Porra!
- O quê? Você sabe de algo não é?
- Viado, preciso ir... Cancela o pedido e me dá só o café.”
A porra ficou seria.
Passei a mão no bolso do paletó e peguei meu cantil, completei com uísque. Meu humor acabava de ir para o mesmo lugar que a boca da minha secretaria, o saco.
Voltei correndo para o departamento.
- Senhor, aquele rapaz de ontem esteve aqui hoje de novo e o pessoal do sanatório disse que você precisa ir rápido.
Mal tive tempo de colocar todas aquelas informações no quadro...
- E meu apartamento?
- Limpo e arrumado.
Sai as pressas. Não tinha considerado isso, ainda.



...

8 de mar de 2012

Foi lindo...


                -E o que é que você acha?
                -De verdade?
                -É...
                -Moça... Eu acho que até pra levar surra de piru na cara tem que ter respeito.

Aquela mulher


                A obra da minha vida. É isso que vocês são, eu não sou nada sem vocês. O que escrevo seria vazio, falso e sem vida.
                Vocês me inspiram.
                Quando Roger canta: “Vou te contar o que me faz andar. Se não é por mulher não saio nem do lugar” Ele diz que vocês são a causa e o efeito do mundo. É por vocês que nós, os homens, nos metemos em roubadas, fumamos, bebemos, brigamos, choramos e abrimos mão de um mundo de possibilidades por apenas uma chance.
                É graças a vocês que pensamos em ter filhos.
                Mulheres sempre mereceram o mundo. Elas são capazes de transformar o mais forte homem em uma criança triste e indefesa, são capazes também de fazer o mais simples plebeu se tornar o maior e melhor rei.
                Não existem palavras para descrever o que sinto por vocês.

6 de mar de 2012

Até que a morte os separe


                Pois bem. A noite estava quente, quase insuportável – como todas as noites de verão em Goiás – Acho que eu vestia uma camisa preta justa, jeans surrados e minhas botas negras e engraxadas. Tocaram aquelas músicas clichês, com instrumentos toscos.
                A marcha nupcial, se não me engano, saiu de um saxofone. A noiva estava linda, emocionada e sua família parecia explodir por toda aquela transformação. Finalmente o patinho feio virou um cisne.
                Eu particularmente gosto de casamentos.
                É o tipo de ocasião onde as mulheres estão sensíveis e mais propensas a acreditar que isso é possível para todas. Bom, não é!
                Me aproveito disso. Gosto de dizer que sonho em ter três filhos, uma cerca branca, um cachorro e uma chácara para passar os fins de semana, sempre dá certo. As vezes inovo e tento contos novos.
                A estória que invento não interessa muito, a trepada que sai dela sim.
                O que sinto realmente vontade de fazer naquele período durante a cerimônia é entrar correndo, segurar a noiva e gritar para o babaca no altar: “Corre Forrest, corre. Salva a sua vida enquanto há tempo, ela vai engordar e te culpar por isso, o sexo pode ainda ser bom, mas aquela sua mania de comer na sala com os pés na mesinha tem que acabar... Corre pela sua vida rapaz!”
                Mas eu não faço. Deveria me sentir mal por me manter distante enquanto pessoas queridas, ou não, investem tanto em uma instituição falida.
                É verão e a maioria têm o costume de fazer loucuras, só espero que o tempo seco de agosto não chegue até aqueles corações recém unidos.

4 de mar de 2012

Dia de sol


                Ela passa e meu pau palpita.
                Acho que estou amando, de novo...





Dedicado aos meus amores da Psicologia.

Minha


                Não gosto de pronomes possessivos. Não gosto de pronomes possessivos empregados de forma errada: “Dorme bem meu anjo”.
                O que você sabe dela? O que ela é pra você se não mais um troféu a ser exibido?
                A forma correta de resposta seria: “Não sou seu anjo. Não sou um anjo, e, sou apenas dele...” Apontando para o cara de botas pretas, cigarro na boca, camisa branca e duas doses de uísque a mais na mente.