24 de nov de 2012

Hoje, não



                Amanhã! Hoje não, hoje não me parece um bom dia pra morrer. Daqui duas horas, ou uma e meia, o dia acaba. 
                Hoje não, amanhã...
                Amanhã me parece um bom dia pra morrer.
                Para hoje só um gole de uísque, dois tragos de saudade e um pouco de fome.
                Para amanhã, quem sabe, a morte. Mas hoje não, para hoje é só saudade e dois dedos de uísque.

20 de nov de 2012

É sobre cebolas, juro.



               
                Nunca achei que diria, mas pessoas mudam.
                Eu por exemplo, não gostava de cebolas. Achava o budismo perca de tempo e a felicidade fundamental.
                Ainda não sou um grande entusiasta quando o assunto é cebolas, o importante é que consigo comer sem passar mal.
                Engraçado. Acreditava de verdade que felicidade era fundamental a vida, assim como acredito que você hoje é insubstituível.
                É só que beira o insuportável toda essa busca (alheia) vazia por um ideal vendido quase que enlatado.
                Sentimentos... Sempre tão úteis quanto uma úlcera.
                No final das contas “não vemos as coisas como elas são. Nós vemos as coisas como somos”.

12 de nov de 2012

Teatrando



                "No início era o verbo.
                Laban fez dele movimento, mas a duvida que sobra é se Talhar parece Pontuar.
                Se for sustentado é pelo pai ou a mão?
                Já que o leve nem sempre é direto, e, se for indireto não pode Socar.
                Eu quero dizer, na verdade, que o sujeito nem sempre conjuga o verbo e às vezes a frase de movimento não tem ação.
                E quem tem culpa? Se é na repetição que se atinge a perfeição.
                Quando Laban propõe o verbo, eu argumento de maneira repentina e afirmo que Flutuar não leva você ao Pontuar.
                Deslizar pode, e muitas vezes é, mais divertido que Sacudir.
                Só nos resta Torcer para um sentido no nexo que a falta de sexo trás."

10 de nov de 2012

Sdd



                Eu sei que você conheceu essa música por outra pessoa. Talvez você não saiba, mas eu apresentei essa música a ela. Era uma tarde quente, estávamos prestes a ir decidir detalhes de uma camiseta e ouvíamos música.
                Eu disse que essa música me lembrava alguém.
                Não disse quem, nem por que. Só coloquei pra tocar e fui escovar os dentes. Acho que não te contei isso. 

6 de nov de 2012

Pobre Lázaro



                O pobre Lázaro tinha algo de especial. Ninguém sobe ao céu se não tem algo de especial. Faz parte da vida.
                Claro, como se eu soubesse o que é preciso fazer e qual caminho mais certo.
                Lázaro devia saber.
                Ele gostava de cães, isso é uma boa qualidade. Cães são legais.
                Mas eu, sinceramente, não sei se quero subir aos céus. Tendo em vista as pessoas que buscam isso na terra, acho que o melhor lugar, pra mim, é no calor aconchegante do inferno ou, quem sabe, viver eternamente por aqui. O que não seria, no final, de todo mal.
                Não é que eu não goste do grande Cristo.
                O cara teve culhões e a manha pra entrar pra história vivendo aquilo que acreditava. Não era um bunda mole que nem o Lennon e esses novos seres que pregam o amor.
                O que Lennon, Mensageiros do amor e o grande Cristo tem em comum?
                O mesmo fã clube insuportável.
                Olhando tudo isso, o inferno não me parece assim tão ruim no final das contas.
                Sinto pena do pobre Lázaro, sofreu tanto em terra para ter que aguentar essa galera chata por toda eternidade.