16 de mar de 2012

O sabor da falta


                E se eu cantar pra saudade e ela não vier com seu melhor vestido vermelho, ou preto?
                Se ela vier por vir, sem nada amargo ou até mesmo aquele agridoce do ciúme?
                Se eu cantar pra saudade como quem pede glicose na veia.
                Ela vem como fogo e incendeia?
Mas e se não vier com tanto ardor ou a boca de cereja?
                Dizem que a dança da chuva só funciona porque os índios não param enquanto não chove, então eu canto pra saudade até ela correr na minha veia como um rio carregado e a luz que rompe em noite clara as celas da cadeia.
                Assim eu canto, canto pra saudade tecer na minha cabeça. 

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