19 de dez. de 2011

Dos três mal amados

                Ele se cansou. Na verdade não foi bem isso, só estava um pouco entediado, sozinho, carente, quebrado e bem decepcionado. Não com alguém, decepcionado consigo.
                Por algum motivo naquela noite, sonhou algo que viveu enquanto criança, os sonhos que tinha e a vida que queria levar. Acordou. Percebeu que a cama vazia, a vida sem rumo, a bebida, cigarros e as mulheres não era ele, aquilo era tudo o que ele nunca quis.
                É como se a vida não fosse o suficiente, ele não sabe ao certo quando se perdeu, suspeita que tenha sido na primeira namorada, ou na primeira foda. Olhou o relógio, não passava das seis, ele dormiu por duas horas. Duas horas foi o tempo necessário para fazer com que ele quisesse as coisas diferentes.
                Assim o fez, lavou o rosto, desligou o som, fez a barba e passou a maquina no cabelo. Procurou um novo emprego, quis retomar os sonhos da infância, talvez não estivesse tudo perdido, ainda havia esperança, pode ser afinal que ele se torne um homem melhor.  
                Mesmo que a esperança não viva mais como um dia viveu.

17 de dez. de 2011

Promise

                Pensar, escrever, apagar, argumentar, refutar.
                Pensar, repensar, imaginar, cochilar.
                Reescrever, apagar, começar.
                Recomeçar.
                Desisto!
    Hoje não sai um simples predicado, ou qualquer merda do tipo.

15 de dez. de 2011

Do me good

-Não entendi nada...
-Eu sei que não, você dormiu o tempo todo.
-Me conta uma coisa, quem é o primo do cachorro?
-Aquele cara do inicio que pegava a loira, saiu com a dona do gato e...
-O gato é primo do cachorro?
-Não! Presta atenção, aquela loira é irmã do cara que tem o pássaro lá, e...
-E o cachorro?
-Que cachorro?
-Esse do final.
-Se tivesse visto o filme saberia.
-Grosso!

13 de dez. de 2011

The worm

                Se for pra ser sozinho, então que seja. Sabe, não é como se eu não fosse sentir saudades e uma puta falta de uma boa trepada e um porre dia sim, dia também. É só que essa coisa de usar e ser usado já deu o que tinha que dar.
                Já sou rabugento o suficiente, só preciso de uma bengala e roupas de mafioso pra quando envelhecer.
 Sabe aquele velho senhor de cara fechada sentado sozinho em toda praça que se preze? Ele já deve ter passado por muita merda na vida e decidiu que assim seria.
                Então é assim que vai ser que venham as crianças com suas bolas, animais de estimação e seu amor incondicional, que venham as mulheres que desejam uma família feliz, mas venham com vontade, com a mesma vontade que vou mandar todos a puta que pariu.
                Mas por enquanto pro inferno você e seu sorriso bonitinho.

11 de dez. de 2011

11:11 PM

- Pensa em um numero...
-27.
-27?
-É caramba, 27. Não pode pensar no 27?
-Não queria ofender.
-Não ofendeu, é que não tenho saco pra idiotices.
-Calma aí... Poxa, só queria fazer algo que vi na internet.
-Inútil!
-Você é estranho.
-É a primeira vez que dizem...
-Que você é estranho?
-Não, isso dizem o tempo todo, mas é a primeira vez que dizem isso por eu pensar no 27.
 -Esquece isso e dá cá um beijo, meu ogro.

9 de dez. de 2011

La Fête

                Cheguei e peguei a panela, enchi de água e coloquei pra ferver. “O macarrão não vai se fazer sozinho” pensava. Dois dedos de uísque e um gole bem servido de conhaque. A panela já ficava preta no fundo, acho que o gás estava pra acabar.
                O interfone toca. 
                Ela Sobe.
                E trepamos como se não houvesse amanhã, ou água fervendo na cozinha.

7 de dez. de 2011

T,N.T.

                Lá estavam os dois sentados no bar se encarando.
                -Trouxe?
                -Tá aqui...
                -Ótimo.
                Trocaram as mochilas e se levantaram. Um foi em direção ao balcão, outro ao banheiro. O do balcão pediu uma dose dupla de uísque, o do banheiro só precisava se aliviar. Talvez toda aquela pressão o fizesse querer se mijar.