1 de mar de 2011

I'm only sleeping

            Você me disse, não exatamente nessa ordem:
            “Fica uma angústia... aquela coisa que você tenta pegar, segurar... mas sempre foge. Aquela sensação de não completo; de saudade permanente que gruda, que não se mata porque não temos mais um ao outro constantemente.”
            Ainda que não existisse a distância, não haveria sentido. É como se você não acreditasse que algo que está longe pudesse fazer tanta falta. É como se o quê nos separa não passasse de desculpa pra não fazer dar certo. Mesmo sabendo que seria bem diferente de como você e eu imaginamos, colocamos a distância como uma barreira intransponível. Esquecemos que ela pode ser uma aliada, já que precisamos tanto da liberdade. Seria como se não soubéssemos separar as coisas: estou aqui querendo estar aí. Esse vazio que, acompanhado, chamamos distância, sozinhos chamamos solidão.
            O uísque tem me dado atenção e um ombro amigo, coisas que seriam suas obrigações - lá vou eu de novo te prendendo a tarefas que não são suas, ou de qualquer outra pessoa. Mas, olhando o passado, é injusto te culpar por erros atuais quando tudo que nos trouxe até aqui, de certa forma, é culpa minha: minha falta de culhões, de maturidade pra encarar de frente esse sentimento que era novo, além da falta de capacidade para agir como se deve ao ver que você vai embora e que, depois disso, serão despedidas atrás de despedidas.
            Ouço um alarme, ao longe, disparado. Um som estridente madrugada a fora me fazendo perder o que pensava sobre você e aquelas chances que deixei escapar. Apesar de todo esse sentimento reprimido posso afirmar com convicção que não precisarei de remédios para dormir esta noite. Ainda que meus pensamentos sejam você, há a certeza de que, mesmo dormindo, você continuará neles e não há melhor ilusão do que estar ao seu lado.
            Quando essa ilusão no meu sono profundo se materializar estou certo de que não haverá mais motivo para despertar, se é que alguma vez houve.
            Me despeço com a imagem de você deitada em meu colo, o céu azul e algumas nuvens brancas. O calor de abril e seus olhos de ressaca cor de mel me pedindo carinho em uma quarta entediante.

Um comentário:

  1. não foi em uma quarta.. mas penso que tudo bem, né?! :)
    afinal.. acho que quando tu escreveu esse texto, não fazia ideia de que esse último parágrafo se materializaria. *_*

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