11 de set de 2012

Cinza

                Funciona assim: nasce alguém.
Alguém legal, com ideias bacanas... Tipo o Ernesto Guevara, Jesus ou só um escritor de quadrinhos com ideias bacaninhas. Aí... Criamos um símbolo, pode ser uma foto, uma cruz, uma máscara, e vendemos. Antes de vender a gente muda o nome, coloca algo como Cristo, Che, Fawkes. Puro marketing.
                Mas não é simplesmente vender.
                Ninguém quer esse tipo de suvenir. As pessoas querem a ideia. A gente não vende o martelo, porque martelo é pra trabalhar, vendemos o martelo e a foice com um fundo vermelho. A ideia vende mais.
                As pessoas são preguiçosas, porcas e idiotas. Elas vão comprar aquela ideia e depois de terem pagado um valor qualquer, vão fazer o que bem entender. Vão culpar quem vende. É fácil culpar quem vende.
                Ninguém se culpa pela merda.
                É assim.
Daí, vão reclamar, porque compraram a ideia, mudaram a ideia e ela se tornou algo maior, foi agregada a grande merda pulsante na terra. Vão fazer camisetas, bonés, vão usar a ideia comprada como base para grupos.
                Vão te fazer engolir que o vermelho é bom se você for do povo e o azul é bom se você for rico.
                Mas não existem ricos, não existe povo. Existem pessoas. Medíocres seres vivos que compram ideias e modificam, por pura preguiça de pensar e medo de assumir que só quer o melhor para si, e não para o grupo.
                Esses seres vão vivendo e se juntando com outros compradores da mesma ideia e vão discutir qual a melhor adaptação, ninguém quer a ideia como ela é. Vão variar a primeira ideia, aquela boa e legal, vão te dizer que a variação é melhor e verdadeira.
“Você interpretou errado, filho”
                E vão te converter e fazer das tripas coração, para que você, um novo ser com todo potencial a não mediocridade se converta a merda, pulse no mesmo tempo ou contratempo da maioria. E ninguém liga para o cara que pensou primeiro. Não é importante, a gente acredita nesse comprador, e daí que ele usa uma frase do bob esponja no final do livro... Todo mundo de vermelho agindo igual bebê na terra vermelha, é mais legal que todo mundo de azul com seus cachimbos carregados de fumo indiano e pantufas de camurça em Higienópolis.
                Porque no final das contas, o mundo é preto ou branco.
                Por mais que eu queira pensar que ele, na verdade, é feito em tons de cinza.
                 

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