13 de mar de 2013

Ana



                Talvez seus lábios fossem labirintos, mas eu não tinha me dado conta. É o que acontece quando se tem músicas com nomes de mulher.
                Lábios doces e sacanas.
                Encontros furtivos, conversa animada e não era, só, a televisão. Talvez estávamos perdendo o nosso tempo reclamando da perfeição. Mesmo que não nas palavras. Então, peitos, tesão e chupadas, vinham a tona, como quem descobre o outro numa quarta feira fria.
                A coluna se arrepiava a cada sugada e o pau estremecia, lutava em se manter duro, firme e rígido, mas os lábios e os olhos... Há os olhos, além dos seios, e a boca aveludada que atraem os meus instintos não tão sacanas.
                Não sei, sinceramente, se seu olhar sempre me engana. Não sei como terminaria a nossa transa, como seriam as noites sem a sua boca sacana.
                Eu sei que, te deixo em casa após algum encontro ilegal, pela janela você me beija com a mesma gana que beijava meu pau, se vira e pega as chaves. Eu contorno o carro e passo, lentamente, enquanto você tranca o portão durante a madrugada. Não nos vemos por meses, pode ser que algum dia os meses virem anos.
                Mas sempre que volto, sem pensar ou por pensar demais digo que quero te ver, é como uma dança cigana. Pura sedução subentendida. Eu entro, sempre, e me perco por uma noite a cada semestre. Quem sabe duas.
                Talvez tenhamos nos encontrado sem pensar, mas não há tempo pra se arrepender e roer as unhas, o nosso crime tem perdão. Mesmo que tenhamos feito sem pensar.

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