14 de set de 2012

O bar divertido



                O que eu fiz... Acendi um cigarro, desses que se compra picado.
                “Cinquenta centavos o de filtro vermelho. É o mais barato”
                A dois reais a dose de cachaça o que mais eu deveria querer?
                Uma puta!
                Dessas que me olham nos olhos e dizem: é cento e cinquenta completo. Eu respondo “Broto, você tem a manha” e ela retruca: Essa noite, pra você, é 50.
                Como não cair embriagado de amor e cachaça nos seios fartos de mais uma loira de pentelhos pretos e alma de artista? Mancho, assim, cada vez mais minha alma e marcho alguns quilômetros, a mais, pro inferno.
                Mas essa noite não tinha disso.
                Era sóbria, a noite não eu. A lua era nova, não a mesma de ontem e talvez só um pouco parecida com a de amanhã.
                Algumas doses mais tarde, algumas cervejas na conta, o bar encheu. Como minhas células se enchem de paixão, meu pau de tesão e a cabeça de merda.
                A gente já se conhecia.
                Eu não lembrava seu nome, mas lembrava do sorriso e o incrível dom de me fazer ficar igual idiota. Tentei me aproximar, ela não parecia muito impressionada. Algumas palavras trocadas, algumas risadas sem graça e não, não era minha noite de sorte.
                Mais um cigarro, mais uma cerveja, outra mulher e mais uma dose.
                Acho que foi no meio de uma música do Strokes que tive mais vontade de beija-la, não beijei. Ela me travou. A noite acabou como todas. Uma leve ressaca, pigarro e o maldito se, que me atormentava como sempre.
                Não sei. Talvez. Quem sabe.
                E tudo que eu tinha era um bom pressentimento com relação a ela.

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