-Posso te fazer uma pergunta?
-Não garanto que vou responder...
-Tudo bem... Você tem certeza que está onde queria estar?
-...
-Posso te fazer uma pergunta?
-Não garanto que vou responder...
-Tudo bem... Você tem certeza que está onde queria estar?
-...
Partiu pra não se repartir. Ou fui eu quem partiu para não te repartir?
Sem grandes despedidas nem abraços demorados.
Sem lagrimas nos olhos ou beijos apaixonados.
Um simples tchau e dois beijos na bochecha.
Uma noite em claro e um taxi parado próximo ao senhor que dormia na sarjeta.
E eu continuo vivo.
Uma palavra, na verdade meia. E o ogro se torna um duende, daqueles inofensivos, pequenos e frágeis. A presença dela é a maior fraqueza dele. Ele a quer protegida do mau, dos outros, do mundo.
Ela só quer viver.
Há quem diga que ela não acharia coisa melhor, mas ambos sabem que ela sempre achou. Ele é o que chamam curva de rio. Ela é especial, incompreendida, confusa e um pouco sozinha.
Ele é o mais perto da melancolia que qualquer um já tenha chegado. Só não percebem isso.
Pelas ruas, faculdades e escolas, nunca viram tanta química ou vontade recusada em um lugar, talvez dois, ela permanece incógnita e ele permanece chapado.
Ele sempre achou difícil partir, para ela é sempre um prazer. Pode ser que seja esse o final feliz dos dois, ou pelo menos dela. O que se pode dizer com certeza é que ele pensa: “Volte sempre... Volte sempre pra mim” mesmo que isso não mais aconteça.
Por entre destroços, sejam do meu coração ou da construção.
Por entre quedas, hora da Bovespa hora do meu humor.
Por entre cidades não tão maravilhosas e ônibus apertados.
Por entre shows legais e pessoas distantes.
Por entre cinegrafistas baleados e alunos reprimidos.
Eu continuo vivo.
A mão no bolso, movimento simples, maço pra fora. Duas batidas, e, o cigarro de procedência duvidosa deixa seu filtro vermelho à mostra. Sem tempo a perder leva o maço até a boca, prende o cigarro entre os lábios, com uma mão protege a chama do vento com a outra segura firme o isqueiro.
A primeira tragada queima junto com a nicotina e o fumo, metade de seus pensamentos. A segunda tragada não queima nada alem do de sempre, mas satisfaz aquela vontade interior de fuder com algo.
Dois dedos habilidosamente retiram o cigarro da boca, as luzes criam um clima, sua camisa preta, o cabelo bagunçado, jeans surrado e a barba por fazer definem o personagem.
“Eu te quero!”
Porque diabos ela não diz isso? Ele pensa. Mais outro trago, mais um gole no restante do uísque em seu cantil. Pessoas passam por ele, ele passa pelas pessoas. É difícil saber realmente quem te marca e por quem você é marcado.
“Você pensa em quê?” Sua nova amante de uma noite indaga. Só um sorriso como resposta, conforme-se com isso. É a vida, é o que tem pra hoje.
A! Se eu não fosse tão babaca...
Te chamava de amor, te pedia em namoro e fazia um filho ou dois com você no futuro.
Te ligava de madrugada pra dizer: “Dorme bem” quando não pudéssemos dormir juntos.
Se eu não fosse tão babaca assumia minha paixão e te enchia de emoção.
Tatuava nos meus ossos o seu nome e te dava meu sobrenome.
Se eu não fosse tão babaca e não ferrasse com tudo sempre, seriamos o casal mais promissor de todos os tempos.
Enfrentaríamos crises, problemas e doenças.
Se eu não fosse tão seu, mesmo sendo tão babaca, o mundo teria senso.
Eu sofreria as leis do carma e as crianças da África não passariam fome, mas eu sou babaca. Egocêntrico e com mais defeitos que qualquer um daqueles personagens das series que você assiste. O mundo não faz sentido e seu abraço de despedida ainda me deixa mais dolorido que qualquer murro que já tenha levado.