9 de ago. de 2011

Even Flow

- Será que chove?

- O tempo deu uma esfriada né?

-Deu sim, não é normal fazer tanto frio em agosto.

-Pois é, se bem que eu sou de Goiás lá não é normal fazer frio.

-Tem um cigarro aí?

-Tenho não, fumei meu ultimo ontem. Tô tentando parar.

-É mesmo?! E como tá se saindo?

-Péssimo.

-Sei bem como é isso.

-Mas eu acho que chove até final da noite.

-Será?

-Quase certo, o céu tá vermelho.

-Lembra o batom daquela mulher né?!

-Sempre achei ela tosca.

-Pode ser tosca, mas é bonitinha.

-Não me dá tesão não.

-Almoço amanhã no pop’s?

-Pode ser depois das 11?

-É melhor pra mim inclusive.

-Dia agitado.

-Sei bem como é isso.

-Já vou indo que tá na minha hora.

-A gente se esbarra por aí.

8 de ago. de 2011

Para L.

Oi, sou eu de novo (nada que você não soubesse pois está no envelope). Me desculpa te atormentar com essas cartas é só que... queria noticia sua. Por aqui as coisas estão um pouco desorganizadas, a casa está suja e o mato no quintal me impede de chegar perto do pé de amora.

Tenho bebido mais que o normal e fumado mais também por conseqüência. As faltas no trabalho me colocam em situação de risco. Não deveria te contar isso, mas me sinto ligado a você. E por mais que não queira te preocupar, tenho que te dizer a verdade.

É moça, os tempos estão mudados.

Sonhei com você a noite passada, e ao abrir os olhos senti seu perfume. Não tinha trocado a roupa de cama ainda. Você melhor que ninguém sabe como sou desleixado.

Cada dia a mais sem você aumenta meu desespero, aguardo noticias. Beijos de um homem que te ama muito. Atenciosamente J.

7 de ago. de 2011

Laugh, I nearly died

Passou a mão no telefone e ligou. Nunca escondeu que não se sentia a vontade falando ao telefone, custava retornar as ligações de seus pais, jamais ligava pra alguma mulher - Independente de quem fosse e do que queria com ela.

Mas essa noite ele ligou.

Ligou porque não conseguiria dormir sem ouvir a voz dela, precisava de mais uma dose. Mais uma dose dela, mais uma dose de ilusão. Para surpresa dele, ela ainda não havia ido dormir tinha ficado até aquele momento lendo, vendo algo na TV ou simplesmente em algum lugar olhando pro nada pensando na vida.

Já era tarde.

Apenas os cachorros e gatos da rua presenciaram ele se perder nas palavras, engasgar e não conseguir se expressar, mais uma vez. Apenas os cachorros e gatos presenciaram também seu rosto mudar quando ela disse: “Alô?”. Ele então assumiu a postura que sempre teve com ela. Foi sincero.

Contou porque tinha ligado, disse algumas coisas. Queria dizer outras. Achou que estava incomodando e desligou. Foi dormir desejando um abraço.

O engraçado é que naquela noite ele não estava arrogante, estava inclusive menos nervoso que nas noites anteriores. Ouviu calado coisas que em outras ocasiões não ouviria. Naquela noite em especial o lobo se comportava como um cão.

Era como se estivesse cansado.

Realmente estava. Cansado de ser um lobo sem alcatéia, da musica eletrônica do vizinho, de pessoas vazias e garrafas cheias. Naquela noite em especial se sentiu mais amigo, se sentiu diferente. Mas com o telefone desligado e o rosto corado não restava muito a fazer. Apagou o cigarro e tentou dormir um pouco.

6 de ago. de 2011

Some devil

"Finalmente se levantou, caminhou até a cozinha e abriu a geladeira. Tão vazia quanto seu coração. Tomou dois dedos de vodka e fumou um cigarro, chutou as roupas vomitadas pro lado e ligou a vitrola."


5 de ago. de 2011

Corações ingovernaveis

"Por mais que se sentisse incomodada com o cheiro de cigarro e álcool, que já era natural dele, não deixava de beijá-lo. Nas noites em que passava sentada na beira da calçada acariciando os cabelos dele e sentindo o perfume do xampu barato, fazia planos pras semanas seguintes.

Eram opostos."




3 de ago. de 2011

I wanna be sedated

Finalmente se levantou da cama e saiu, havia alguns dias que não punha os pés fora de casa. Queria um tempo do mundo, mas todos sabem que não é possível.

O mundo não dá tempo.

A vida não te dá brechas, o amor e a paixão são implacáveis e, como diz Humberto: “no nosso peito bate um alvo muito frágil”. Te vendem uma historia enlatada de um relacionamento complexo e cheio de regras.

Você compra.

Acredita fielmente naquilo (pelo menos até viver). É broxante, e ele sabe disso (já esteve lá). Mas não foi preparado pro que está vivendo (ninguém nunca foi). Essa felicidade, boas noites de sono, se alimenta bem, quase não fuma, sem brigas na rua e o melhor... sem ressaca. Até ela ir embora. A distancia traz novamente tudo aquilo que atormenta. Ele sempre se faz as mesmas perguntas: “porque não posso ser feliz sem ela? Tem que ser realmente assim? Alguém algum dia poderá suprir o que até hoje só ela me dá? E se ficássemos juntos de verdade?”.

Sem respostas.

E ele continua vivendo. Vivenciando um verdadeiro relacionamento, algo simples (pra variar). Como era de se esperar, ele levantou e saiu, saiu como fazia todos os dias antes e depois de tê-la conhecido.

1 de ago. de 2011

Querida L.

L. estou te escrevendo porque preciso dizer que quando se está sóbrio a falta aumenta, é como se o álcool inibisse qualquer sentimento por você, ou talvez não inibisse, mas desse a força pra aguentá-lo sem fraquejar. Tive novamente vontade de te ligar, de te escrever, beijar e tentar de novo preencher esse vazio que fica quando você vai. O mundo não é justo afinal.

Tentativas vãs de te substituir, mais falhas ao tentar te esquecer. Insuperável. Foi nisso que você se tornou. Esperava que não por muito tempo, não pelo tempo que tem sido. Era pra ter sido rápido, como os carros que passam correndo na avenida. Não era pra ter sido tão bom. Agora o que me resta? Algumas coisas casuais e pouca esperança.

É uma carta curta de um homem amargurado que sente a sua falta. Atenciosamente J.

PS: O pé de amora no quintal está florido.