24 de abr. de 2011

Drown in my own tears

      Eu não tô legal.
     A questão é:  Quando estive?

     Verdade é que sempre tive a sensação de que me faltava algo, até conhecer você.
Eu sei que isso é clichê, ao menos aparentemente. O diferencial, aqui, é que mesmo sabendo que você me traz plenitude, nirvana, felicidade, ou qualquer outro termo do gênero, nosso futuro juntos é tão incerto quanto seu humor após algum comentário meu.

     O número de garrafas vazias, a minha volta, aumenta.
     As garrafas testemunham meu fracasso diante dessa situação.

     Já não consigo conter o ódio que sinto por mim, mas também não consigo conter nada disso que sinto por você. E, mesmo sabendo que isso é bom, me sinto triste, quebrado e sem chão, por não ter você por perto.

     E mesmo que essas lágrimas que enchem meus olhos acabem por cair, saiba que o que sinto por você é afeto, carinho, preocupação e saudade –saudade essa que vem me ferir cada vez mais intensamente.

     Me pergunto se Ray Charles chorava. Pra escrever músicas como as dele, é preciso muita criatividade ou fígado e coração mais fortes que o normal.
     Se minhas lágrimas caíssem, com toda certeza eu me afogaria nelas. (Dedicado a você e a todos os momentos que passamos juntos, seja em corpo presente ou virtualmente "Through the sleepless nights")

18 de abr. de 2011

Tears in heaven

A única notícia que tive de você hoje é que está mal, doente de algo que nem você nem os médicos foram capazes de identificar. Minha vontade era te pegar no colo e te dar a proteção que você disse sentir quando está ao meu lado.

O dia passou, me vi impotente. Me senti fraco, doente como você por não poder te amparar nesse momento.

Agi da maneira como achei certo.

Você precisa do seu tempo, pois é durona, casca grossa; não dá o braço a torcer e não gosta de ser vista como alguém debilitada e que precisa de outro ser humano.

Passei o outro dia tão agoniado como naquela quarta-feira de cinzas, que trazia tal cor, deprimente para o meu humor e para minha vida. Tive poucas notícias suas, e não quis te incomodar com trivialidades, mesmo querendo desesperadamente estar ao seu lado, te enchendo de carinhos e mimos.

Na sexta, criei coragem e fui te visitar. Você estava pálida, um pouco mal humorada. Me lembrei de anos atrás, alguns meses antes de você ir embora: como sempre, eu insistia.

Naquele momento, ali com você, eu queria acariciar sua cabeça e dizer que iria passar rápido e que logo você estaria de volta, a encantar qualquer pessoa que realmente conseguisse te ver.

Fiquei pouco ao seu lado, pois sei como você presa sua liberdade.

Demorei a me despedir pois sabia que depois daquele momento não voltaria a te ver tão cedo. Também não tinha a certeza de que, quando nos víssemos, teríamos novamente o que tivemos nesses últimos dias.

Te dei um abraço forte e te beijei na boca. Você rapidamente exclamou: “tá louco?”, me encarando com aqueles olhos de ressaca, cansados pela doença. "Louco por você ", é o que eu deveria ter dito. Era o que eu pensava, mas falei qualquer coisa, pra não passar batido.

E sai, com o coração na mão –ou pelo menos o que sobrou dele-, rumo a minha casa, tentando não me deixar abater por toda essa situação, que você tratava como nada.

Um nó na garganta e o gosto frio dos seus lábios pálidos.

Caminhei de volta pra casa, de volta ao meu mundo, ao lugar onde eu realmente pertenço, e, talvez, de onde eu nunca deveria ter saído.

30 de mar. de 2011

I remember you. (part 2)

Acordei ouvindo o som da chuva, bem parecido com o som da noite anterior, da chuva que caía pouco antes de você ir embora, e que por muito pouco não abafava as músicas que escutávamos. Ter você ali deitada ao meu lado -em silêncio-, a troca de olhares, carinhos e por último os beijos, seria o mais próximo do paraíso.

Nos encontramos mais tarde. Você estava tão linda como sempre, com aquele sorriso meio sem graça. Dessa vez não relutou em me beijar. Você disse que se sente confortável ao meu lado, que se sente bem. Realmente quero acreditar que isso é verdade.

Passamos a tarde e um longo pedaço da noite juntos. Foi um dia calmo, tranqüilo, muita conversa e carinhos que, em público, ficavam tímidos, meio escondidos, mas que me diziam que você estaria ali para mim assim que todos se fossem e as luzes se apagassem. O futuro parecia promissor.

Sem saber o que fazer, você parou o carro alguns metros da minha casa e ficamos ali por horas, conversando, nos beijando e falando sobre tudo. O que era ato isolado se transformou em “nada”, um nada que me deu mais satisfação do que eu imaginava.

Você queria carinho, eu queria você.

Tenho que me acostumar com essa idéia para não perder a relação amigável que temos. Apesar desses dias ao seu lado terem tomado conta de todas as lembranças que tenho de você, sei que aquele foi o nosso ápice e que jamais vai se repetir.

Já tive momentos difíceis ao seu lado, como quando você se irritava comigo, ou quando demorava a dar noticias por estar em outro país, ocupada demais para responder. Mas, de tudo, com certeza este será o pior.

“I remember you through the sleepless nights, through every endless day”

29 de mar. de 2011

I remember you. (part 1)

Seu cheiro ainda está no travesseiro. Faz poucos minutos que você saiu, e eu sinto como fosse uma eternidade. Me lembra a vez em que você, sem muitos avisos, partiu para outro país: me deixou com a ressaca e algumas lembranças de uma noite atormentada, regada a tequila e pessoas desconhecidas.

São três da manhã e eu não te disse nem metade do que queria ter dito. Não mostrei nem um terço do que eu realmente sinto.

Algumas horas atrás, tivemos a nossa conversa mais íntima, a respeito de como realmente somos. Por certo receio, não deixei transparecer o que se passava: que a tempos não me sentia feliz como me senti essa noite com você, que seus beijos são de longe os melhores e mais saborosos que já tive, que seu cheiro me acalma e que essa sua voz “pra dentro” e esse resto de sotaque mineiro -que não te abandona- ficam na minha cabeça por mais tempo do que deveriam.

Você disse que voltaria amanhã.

Não é segredo que somos negações quando se trata de relacionamentos -como já discutimos essa noite-, e que estou cético com o que está acontecendo conosco.

Deveria ter dito que você foi responsável pelo meu amadurecer, que me deu o que faltava pra sair de um relacionamento ferrado com uma garota que não conseguia olhar para nada além do próprio umbigo. Se eu tivesse dito, não sei se teria, agora, a liberdade de ainda conversar com você como sempre fizemos. Essa sua reputação de durona -conquistada com sacrifício-, por mais que seja falsa, me mete medo e fascina.

Estou sóbrio e escrevendo -se é que pode ser tido como sóbrio alguém no meu estado. Suas palavras deixaram claro que tudo isso foi um “ato isolado” e jamais acontecerá de novo. Só sei que esse “ato isolado” foi o melhor que tive, e que talvez pudesse ser suficiente não só para uma noite, mas para uma vida toda.

1 de mar. de 2011

I'm only sleeping

            Você me disse, não exatamente nessa ordem:
            “Fica uma angústia... aquela coisa que você tenta pegar, segurar... mas sempre foge. Aquela sensação de não completo; de saudade permanente que gruda, que não se mata porque não temos mais um ao outro constantemente.”
            Ainda que não existisse a distância, não haveria sentido. É como se você não acreditasse que algo que está longe pudesse fazer tanta falta. É como se o quê nos separa não passasse de desculpa pra não fazer dar certo. Mesmo sabendo que seria bem diferente de como você e eu imaginamos, colocamos a distância como uma barreira intransponível. Esquecemos que ela pode ser uma aliada, já que precisamos tanto da liberdade. Seria como se não soubéssemos separar as coisas: estou aqui querendo estar aí. Esse vazio que, acompanhado, chamamos distância, sozinhos chamamos solidão.
            O uísque tem me dado atenção e um ombro amigo, coisas que seriam suas obrigações - lá vou eu de novo te prendendo a tarefas que não são suas, ou de qualquer outra pessoa. Mas, olhando o passado, é injusto te culpar por erros atuais quando tudo que nos trouxe até aqui, de certa forma, é culpa minha: minha falta de culhões, de maturidade pra encarar de frente esse sentimento que era novo, além da falta de capacidade para agir como se deve ao ver que você vai embora e que, depois disso, serão despedidas atrás de despedidas.
            Ouço um alarme, ao longe, disparado. Um som estridente madrugada a fora me fazendo perder o que pensava sobre você e aquelas chances que deixei escapar. Apesar de todo esse sentimento reprimido posso afirmar com convicção que não precisarei de remédios para dormir esta noite. Ainda que meus pensamentos sejam você, há a certeza de que, mesmo dormindo, você continuará neles e não há melhor ilusão do que estar ao seu lado.
            Quando essa ilusão no meu sono profundo se materializar estou certo de que não haverá mais motivo para despertar, se é que alguma vez houve.
            Me despeço com a imagem de você deitada em meu colo, o céu azul e algumas nuvens brancas. O calor de abril e seus olhos de ressaca cor de mel me pedindo carinho em uma quarta entediante.