31 de jan. de 2012

E se não der


                Triste mesmo é aquele momento quando você percebe que até seu pau sente falta dela. Aqueles calafrios que sobem com uma ereção meia bomba e o aperto no coração por não tê-la por perto.
                Sinto como se fosse o melhor guitarrista da melhor banda do mundo que acabou de se separar. A única coisa que consigo pensar em fazer é sentar e esperar pelo retorno.

29 de jan. de 2012

Lovesong


                Não interessa muito os outros aspectos quando se trata de relacionamentos... Acho que “Eu te amo” é a gota d’água. A partir destas três palavras a relação assume a forma de algo pesado com rodas e sem freio numa ladeira de 110° o final é uma avenida de tráfego intenso e o sinal está fechado pra vocês.
                

24 de jan. de 2012

Well I wonder


                Existem noites em que pessoas se encontram, acendem seus cigarros, bebem suas cervejas, ouvem música e transam como se não houvesse amanhã. Há noites em que pessoas assistem filmes, bebem algum vinho vagabundo e trepam como se quisessem tirar de dentro algo que não poderia nascer.
                Em noites assim alguém se sente só, fora do contexto, sabe?  
                É como se o mundo não fizesse mais sentido e fosse preciso se encontrar, te encontrar. Não é porque alguém te completa. Isso não acontece mais. É porque alguém te faz feliz.
                Você gosta do cheiro e de como a cabeça dela encaixa perfeitamente em seu peito na hora de dormir. É dela que eu e você precisamos.
                Mas nem sempre se têm tudo que quer ou tudo que é necessário. Me pergunto se mais um maço e outra dose pode ajudar...

19 de jan. de 2012

Querida L.


                Te escrevo pra dizer tudo aquilo que não posso te falar pessoalmente. Não te digo pessoalmente por conta dele, essas coisas te forçariam a se afastar de mim, e eu não quero isso.
                Você já foi minha, por uma tarde ou duas.
                Era só minha, com beijos de amora e a brisa fresca que entrava com alguns raios de sol pela sua janela. Você tem belas pernas. Já disse que te quero, quero mais do que duas vezes isoladas, eu te quero para te fazer sentir tudo isso que eu sei que posso te proporcionar.
                Garotos são sempre incompetentes quando conseguem uma mulher.
                Não quero te iludir, você sabe melhor do que ninguém o meu valor. Eu só queria mais uma chance para te fazer se sentir como uma mulher de verdade e não mais um troféu a ser exibido.
                Sei que não tenho o suficiente para ser levado a serio, mas saiba que você se tornou alguém importante para mim.
                Não consegui escrever muito, mas você sabe que sou de poucas palavras. De um homem infielmente seu, J.

11 de jan. de 2012

Notas de um observador


Já dizia Linus Van Pelt (meu personagem favorito): “Em todo este mundo, não há nada mais inspirador do que ver alguém que acabou de se livrar de uma obrigação”.
Durante certo período de ócio e analisando crianças que deveriam estar sob a minha vigilância percebi que certas coisas ajudam definir a personalidade e formam caráter.
Hoje divago sobre “A caminhada da coragem”.

 Honra não vem de berço.
Há um período certo entre os primeiros 10 anos de vida, em que a criança tem que cumprir a caminhada da coragem - O simples fato de apagar a luz do quarto e caminhar lentamente até a cama.
Pode parecer besteira, mas isso é importante. A criança aprende a conviver com os medos, encará-los e ocasionalmente vencê-los. Essa caminhada faz parte dos primeiros passos pra que essas crianças se tornem seres dignos e de respeito.
Desde cedo aprenderam a vencer o escuro, a lutar sozinhas contra monstros e espectros se que escondem sob a escuridão, e alem de tudo, aprendem alcançar seus objetivos com sucesso.
Pra quem nunca conseguiu concluir a caminhada - ou qualquer outro passo - eu cito novamente LVP: “Eu gosto da humanidade. O que eu não suporto são os humanos”.

4 de jan. de 2012

I would never wanna be young again


                Não sei ao certo se é depressão profunda, melancolia ou se estou somente cercado por idiotas.
                Acredito mais na ultima opção...

31 de dez. de 2011

Voy a apagar la luz


                Virou rápido e esbarrou em um copo de vidro em cima da pia, o copo veio ao chão como todas as expectativas e planos que se fazem no primeiro dia do ano. Ele olhou com desprezo pra todos os cacos que refletiam, graças a luz e a cor do piso, retalhos de seu rosto.
                Com os pés descalços, olhos vermelhos e sem calças, caminhou rumo a sala segurando o prato com seu pão com manteiga, pisando nos cacos, perdendo seu sangue e idolatrando a solidão.
                -É isso. Um homem não deve ficar sozinho, não por muito tempo. Esse ano arrumo um cachorro.

29 de dez. de 2011

Never Forget

                A calçada rachada era testemunha da apatia que eles sentiam pelo mundo. Eram rapazes comuns, com hábitos cruéis e sentimentos isolados. Não tinham muito que fazer.
                Batiam em alguma outra turma nas horas vagas.
                Pichavam muro pra matar o tempo livre.
                Enchiam a cara e fumavam maconha na pista de skate.
                Mas o que os unia de fato era o amor não correspondido por alguma mulher. Essa turma de jovens meliantes mantinha no peito guardado sob uma pedra, tão pesada quanto queriam que fosse, o mais nobre sentimento por alguém que já fora no passado uma donzela indefesa deflorada por algum crápula com o cu cheio de anabolizantes e cérebro capaz de fazer amebas se sentirem físicas quânticas.
                Alem do sentimento havia o silencio, quebrado inúmeras vezes por um violão, uma gaita, um trago de maconha e um gole de conhaque. Juventude transviada. É a conseqüência das mulheres na vida de jovens promissores.

27 de dez. de 2011

Oh, sweet Mary

                A casa não era das melhores, um pouco de mofo na parede, escritas com tinta preta em linhas tortas.
                “É como se Deus tivesse escrito essa merda” Pensava ele.
                Caminhou até o balcão improvisado, a velha senhora de bigode e barba mal feita se vira rapidamente, e, lentamente retira a cerveja quente da geladeira azul enferrujada. Com toda a classe que seus pelos na orelha lhe permitiam ter, pegou um copo americano ensebado e entregou ao rapaz de semblante cansado e pele pálida.
                “Daqui a pouco as menina tão vindo... É que agora era hora do descanso e elas tava barrendo o terreiro” Disse a senhora do sorriso amarelado.
                Escorado naquela mesa de sinuca fodida esperava por mais uma mulher ferrada enquanto o radio a pilha que estava ao lado de um uísque barato na prateleira de cima, tocava algum bolero antigo. Dessa vez era diferente, era a segunda vez que voltava e pagava a hora apenas pra saber dela.
                Aquela menina realmente bagunçou a cabeça desse rapaz. Se ao menos tivesse sido a primeira ou segunda. Se ao menos ela se cuidasse e procurasse estudar.
                Mas a vida é assim, cruel como uma jovem prostituta e impiedosa como uma cafetina ao encontrar garotinhas abusadas por entre as linhas tortas do mundo.

25 de dez. de 2011

Let it snow

-Sua mãe e eu resolvemos... Vamos te dar um presente de natal. O que você quer?
-hum...
                Poderiam perguntar o que Hitler queria quando chamou toda Alemanha, ou Putin ao fraudar as eleições. Eles sabem a resposta.
O que eu quero?
Já quis alguém, já quis um carro, já quis andar a pé e vender minha moto, já quis ir a praia, já quis não sair do quarto por uma semana.
Eu.
Já.
Quis.
 Queria aprender a usar o ponto de exclamação, mesmo que algum escritor no passado diga que é como rir da própria piada, queria dominar o mundo, zerar god of war e acabar com o tormento de Kratos. Queria me vingar de tudo que alguém já me fez passar e de todas as noites que passei em claro encarando a folha em branco.
Presente, talvez eu queira o passado ou um pouco de futuro, quem sabe nenhum dos três.
 -Acho que hoje eu não quero nada, mas obrigado mesmo assim por perguntar.

23 de dez. de 2011

Hey amigo

                Saí de casa com um futuro meio incerto. Não sabia se o que me deprimia mais era a falta dela ou do uísque.
                A vida não é assim tão fácil pra quem tem costumes estranhos.
                O clima quente me deixava nervoso, é como se finalmente estivesse chegado ao inferno - não é nada agradável. O centro está lotado, não é tão tarde assim. Pessoas comprando, comendo, sorrindo – odeio final de ano.
                Rapaz o que você quer da vida? Pensava.
                Eu quero uma foda, uma dose tripla de gim e dois cubos de gelo, por favor.

21 de dez. de 2011

Bad boy boogie

                O tempo nublado ainda refletia a tempestade que recém acabara. Pessoas nessa pacata e calma cidade começavam aos poucos a sentir-se novamente à vontade e prontas para retomar sua rotina calma e suas vidas sem desafios.
                O rapaz que chegara ainda durante a chuva que parecia nunca ter fim estava agora a vagar a procura de seu lugar de descanso. Por entre casas reformadas, ruas esburacadas, lixo entulhado e cães vadios, ele acaba por esbarrar em antigos conhecidos.
                -O rapaz, tá sumido hein?!
                -Pois é... Tava no banheiro.