5 de mai. de 2012

Hepburn

                Eles dizem que não temos nada em comum e que o mundo vai estar sempre entre a gente, dizem que não há um lugar de inicio e que juntos iríamos cair.
                Você diz que não temos nada em comum e que o mundo vai estar sempre entre nós, você diz que não há um ponto de partida e que se ficássemos juntos seriamos a ruína um do outro.
                Eu digo: “Bom e o que você pensa de Bonequinha de luxo? Acho que foi um bom filme e nós dois meio que gostamos, então, aí está o começo”.
  

Quase

Largar o cigarro, deixar a bebida, arrumar um emprego, consertar a vida.
Sem bares, amores, trepadas, praças, canções e paixões.
Quase te esquecer, sem ressaca e com noites bem dormidas.
Ser um homem de bem dá um trabalho tão chato, mas tão chato e o prazer é tão raro, mas tão raro que não me assustaria se voltasse hoje mesmo a orgia.

1 de mai. de 2012

Dia ensolarado

                São raros dias vestidos de saudade viva. Há dias que um pouco de sol e um rosto conhecido, mesmo que de outros carnavais usando outras mascaras, é mais que o suficiente para deixar no peito uma coisa estranha, um sopro desses que sobe até a garganta como se o coração quisesse gritar, mas não dá pra gritar. Não adianta tentar se guardar, ou matar esse pássaro que antes preso e moribundo no peito mal cantava, e, depois de alimentado cria vida e é como fogo quase incontrolável. É uma vontade estranha de ir alem, de tentar e conseguir, de conquistar. Não interessa o quanto de uísque, rum, vodka e fumaça de cigarro barato você coloque no peito, esse pássaro não vai morrer tão fácil, não nesses dias especiais, daqueles que o vento frio briga com o calor do sol e tudo fica assim, meio branco.

Ultimo tango em Paris

                Enquanto caminhava até a faculdade semana passada, encontrei na beira da calçada em frente as casas, no percurso que faço sempre, uma plantinha. Não qualquer plantinha, a minha plantinha.
                Nunca soube o nome, mas desde a infância sempre esteve presente, não de maneira direta e protagonizando grandes atos, mas sempre esteve ali. Ali no canto, com suas pequenas folhas verdes e umas bolinhas engraçadas, meio encostada na parede um pouco debruçada na calçada. Quase imperceptível.
                Aquele tom de verde único sempre foi tão lindo, mesmo que grande parte de mim ache verde uma cor nojenta e sem personalidade.
                Me ganhou. A minha plantinha poderia também ter tons pastel chatos e vermelhos melancólicos que ainda sim seria minha. A minha preferida.
                Ela me traz como um filme toda infância, os playmobils, as brigas quase que incessantes com os cartuchos do super Nintendo, as músicas bregas que ouvia no auge da década de noventa, sentado a beira da calçada sob o céu estrelado tramando planos para quando conseguisse super poderes...
                Lá estava ela com seu cheiro meio remédio meio mato, me fazendo companhia quando o mundo parecia apático.
                Não sei se quero descobrir seu nome ou função, gosto dessa coisa meio Ultimo tango em Paris.
                Ela sempre será minha plantinha e sua função é me acompanhar até onde for necessário.

Um rei

       Oi Zé... A quantas andam seus planos?
E a família? Choveu pouco esse ano, já começou esfriar...
PoiZé, o mundo tá mudado e tem nego admirado.
       E aí Zé?
Se a família crescer e o arroz não render?
PoiZé se o leite talhar e o açúcar azedar?
       Pois há de ficar Zé aquele que nunca pensou na bezerra morrída, no cavalo caído e nos murro doído que a gente leva da vida...

Definição

                O que seria a perfeição?
Uma xícara de chá preto com um pouco de mel em uma tarde de outono ouvindo Sinatra?
Um domingo preguiçoso assistindo o America dominar o jogo e ganhar do Cruzeiro com cerveja gelada e de quebra uma trepada?
Ou uma boa peça em uma noite nublada, vinho e um boquete memorável no cair da madrugada?

28 de abr. de 2012

Box

                Aí você acorda. A casa silenciosa “Não tem ninguém”.
Suspira.
Urina com dificuldade por conta da ereção matinal. Dá descarga e olha para o espelho, limpa as remelas, escova os dentes, o coração acelera. Se convence que é por conta da mijada “efeito retardado”.
Caminha até a cozinha e a porta do quarto bate forte.
“Foi só o vento rapaz”
Abre a geladeira, pega a garrafa de água e dá duas boas goladas no bico mesmo, a brisa fria encontra sua espinha “Acho melhor um banho”.
Já nu com a água caindo em sua cabeça, todos os problemas parecem distantes, shampoo na mão, massageia o cabelo e na hora do enxague, BOOM, seu reflexo te encarando paralisa suas pernas e palpita o coração.
“Filho cheguei!”
“Não era nada no final das contas” e um sorriso aliviado na boca.